segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

#154

Estamos feito bebados 
Tentando andar dentro de nosso próprio lar 
Mas se escorando em qualquer lugar 

Com medo de uma queda 
Ou de um tropeço 
Onde bem deveríamos conhecer

Alguns dias mereciam não nascer Deveriam somente não existir 
Oque podemos tirar deles são apenas dor 

Quem cego está 
Não deseja nada 
Além de deixar o sangue escorrer pelos seus olhos 

E até sujar suas mãos 

Alguns passos a mais 
E mais uma aquarela feita 
Em uma das paredes da sala 

Só mais um tropeço 
E não há supresas 
Mas a certeza de uma nova arte a nascer 

As vezes a gente só quer que acabe 

Arte, e o sentimento que ela trás 
De se abrir e se perder 
Entre os próprios dedos

Olho uma última vez para todos estes desenhos 
Se tornando repentinos 
E uma praia enorme que não damos conta 

Observamos e deixamos se destruir Deixando os mesmos passos na areia E os pares seguem até o mar 

A observar,
A absorver... 

O mar.

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