quarta-feira, 9 de maio de 2012

#29

Talvez...

Eu possa arriscar
Por que o céu é azul
Ou por que os corações batem

Por que não temos asas
Ou se quer algum dia
Aprenderemos a voar

Mas isso
Eu entrego aos sonhos...

Estar com os pés no chão
Sem medo de afundar
Ou com confiança nos céus

Mas existem coisas
Que não nos pertence mais

Deixar a vida ser levada
Não só por ondas de prazer
Mas por eternos sorrisos
Reais e responsáveis

Respirar tudo aquilo
Que os olhos não podem ver
E sonhar com aquilo que as mãos
Jamais tocarão

Quem se importa com o amanhã
Tendo em vista que este
Jamais chegará

Ao menos é o que dizem
E com o tempo
Eu apenas comecei a crer



E deixar o amanhã cuidar de si...




sexta-feira, 20 de abril de 2012

#28

As vezes o homem precisa de algumas palavras
Palavras estas
Que não nascem em árvores ou sequer
Brotam em nossos jardins

Outras vezes
O menino se sente sozinho, vazio
Desesjando encontrar alguma fenda
Por onde sua virtude se perde


Leões o encontram a cada dia
E mais do que nunca aquele menino
Precisa de um abraço
Daqueles que afagam e protegem

Que fazem o mundo girar...

Mas o menino não deveria estar aqui...


Onde foi a segurança daquelas nuvens
Que mais se pareciam travesseiros
Prontas para aparar nossas quedas
Ou ouvir nossas lamentações

Pois nem as estrelas
Tem tido segurança
A queda é livre, sem obstáculos
Sem mãos para segurá-las

Só olhos a admirarem a sua queda...

quinta-feira, 12 de abril de 2012

#27


Moro só...
Aqui escondido em minhas cavernas
Sem me mostrar para o que há lá fora

Não preciso que ninguém me veja
E tenho medo do que pode acontecer
Caso eu saia por aí, sem destino

Sou só mais um no meio da multidão

A chuva cai e acaba molhando a todos nós
Difícil fugir do que vem de cima
Inclusive dos pensamentos em minha cabeça

Pesados como bigornas
Não me deixam andar para onde quero
E não me deixam mover o mundo

Só mais um na multidão

Que quer ir além de palvras e frases
Que gosta do divino e profano
Que respira o ar que nos corroe

Que não quer ser mais um não multidão...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

#26

Nestes dias
Eu só preciso ouvir sua voz
Longe do barulho dos ventos
E do mar

Sentir o perfume
Que me dá um sorriso diferente
A cada dia que se passa

Sentir o mundo girar...

O coração bate depressa
E as vezes tão lento
Que já não entendo
Se é bom ou mal

E o que preciso entender...

Prefiro estar desse jeito
Sem saber o que há de acontecer
E mais que isso

Permanecer assim...

Meio sem jeito
Sem mais palavras
E com meu sorriso estampado no rosto
Acreditando em tudo

E principalmente
Sempre...
Em nossos sorrisos...

sexta-feira, 23 de março de 2012

#25

Hoje pela manhã
Me perguntei se era pecado
Te amar desse jeito

Deixando que as estrelas me encontrem
Fazendo com que eu chegue aos céus
Bem assim, sem sair do chão

Sem sequer tirar um só dedo
Da superfície que me sustenta
Sem fugir do amor que segura

Sem fazer algum esforço para ser feliz
Sem notar os aviões ao meu redor
Ou o ruído dos carros...
Seriam ônibus?

As estrelas se recolhem
Mas o perfume do seu dançar permanece
Junto de fragmentos que me compõem

E agora já não me pergunto mais
Se é pecado ou se deixa de ser
Este enorme e residente amor
Mas seria pecado deixar de ser feliz?

E as respostas voltam
Se intimidam
E se esvaem com o tempo...

terça-feira, 13 de março de 2012

#24

Quem sabe...

Posso fechar os olhos
Descansar depois de tudo
Encontrar cada vez mais os seus braços
E finalmente aquilo que procurei

Viver esperando estrelas...

Creio que não preciso mais
Há algo bem maior que elas
Bem maior que os astros

Liberdade...

O que nos permite respirar
Que tira todo o sufoco do peito
A não ser por essa saudade que aperta.

Aquele peso...

Não existe mais
Um alívio maior surge
E finalmente é possível sentir alguma paz
E aquela fé que move montanhas

Retorna aquela velha casa
Chamada...

Eu.



terça-feira, 6 de março de 2012

#23

Mas...

De que adianta guardar o amor
Dentro de suas mãos
Sem que ninguém veja?

E sem que você viva...

E porque ter tal vocação
Se esta só se faz
Perdida entre nada e
No meio de todos?

Que existência é essa
Que faz das lágrimas ricas
Tão importantes
Dolorosas e cheias de graça...

Que doença é essa
Que nos torna tão perdidos
Que nos faz quebrar regras
E sentir tal aperto

E que pecado é esse
Que aprendi a chamar
Não mais...
Não menos...
De amor.