sexta-feira, 2 de agosto de 2024

#143

Eis aqui

Quem deixa o vento bater
E não foge do desespero,
Que nos mata

A frequência se torna
Cada vez mais alta
E pode ser encontrada de qualquer lugar

O senso, o medo, devaneios
De um louco e por vezes
Feito de cego pelos próprios sentidos

O outono nunca foi tão. . . 

As folhas se seguram onde podem
As ruas não parecem tão cheias dessa vez
Mas é só uma questão de tempo

Até que tudo ao seu redor
Desabe em mais pura desordem
Amor, ódio e se houver sorte

Um pouco de café
Ou até mesmo chá
Que outrora trazia paz

Tardia. . 

Num inferno qualquer
Tudo se faz dor
Até que comece a partir

A se despedir da própria mente
Que mente para si
E te leva mais uma vez ao inferno

Que é o amago
Cheios de nós
E enormes espelhos 

Onde nos vemos
E encontramos nossas belezas mal feitas
Além dos triunfos através de nossos turvos olhos.

sexta-feira, 17 de maio de 2024

#142

Sob o frio

O ar dos pulmões 
Parecem com a fumaça 
De uma lareira qualquer

Não sei bem
Mas acho que as cinzas dessa lareira
Estão sempre espalhadas por todo lugar

A brasa deveria fazer melhor seu papel
Deveria esquentar o que resta,
Oque parece ter vida

Mas nem sempre

O tão "só" respirar
Não é nem nunca foi
Sinônimo de viver

Há quanto tempo questionamos
Sobre esse viver,
a quem da visceralidade que nos falta?

Tudo é intensidade
E um pouco daquilo que te faz mudar
De ideia quando nos olhamos no espelho

Desejando estar um pouco mais longe. . .

Cada vez mais longe. . .

De si

A fumaça permanece
Os pulmões, não mais
Deixam de funcionar

O frio engole de forma abstrata
E já não consigo ler
Os traços que eu mesmo fiz

As cinzas
Nunca foram tão claras
Como no agora


segunda-feira, 29 de abril de 2024

#141

O mesmo borrão 

Até então,
Não há mais chão 
Onde possa derramar tanto

Nem a tela aguenta mais
Tantas repetições
Ou qualquer cor que recebia

Tais pincéis
Que outrora falavam
Até mesmo sem bocas

Se calavam até para mim

A mesma paisagem
Que dava vida aquela janela
Ganhava mais formas

Recebia cada vez mais
Rabiscos incontáveis
Pela mesma mão 

Pelo mesmo que
Se recriava a cada dia
E se destruía junto da tela

Junto daquela paisagem
Ressurgia quantas vezes fosse
Para somente ressignificar

E redesenhar o mesmo sorriso

Que se ajustava
Reajustava
Se errava 

Entre os traços sobre ela
Os lábios em sua devida
Espessura, finura 

Cada coisa se encaixava
Deixando para trás
Oque se chamava de esboço 

E por fim 
Se transformava dia a mais
Em uma obra de arte 

Na minha esquisita arte.

quinta-feira, 25 de abril de 2024

#140

Nunca me pareceu tao só

Os sentimentos meio a muitos
As ideias que possuem
Somente em outras frequências

Quem dera ser
Metade daquilo que no fundo
Não mostra esse quadro

Um fundo imperfeito
De folhas que caem
Pelo mais puro descuido

Meio as cores
A grossa tentativa de 
Entregar vida a quem vê

Mas bem de perto
O excesso da tinta
Em diversos tons

Há manchas até no chão

São tantos tons
Que nem as mãos
Dão conta do borrão

Talvez nem as cores
Nem os tons façam sentido
Nem mesmo seus excessos

Parecia que queria entregar
O amor que lhe cabia
E não sabia como

E não sabia o tamanho
Que lhe vestia
E então usava todas as cores

Afim de que seus excessos
Fossem entregues
Não pelos sorrisos

Mas para seu próprio desespero

E aquelas machas 
Ao chão, próximas a paisagem
Que se encaixava naquela janela

Nunca fizeram tanto sentido.


domingo, 14 de abril de 2024

#139

Em mar aberto

Não conseguimos ir além da imensidão
Os olhos encontram o horizonte
Mas este nem sempre faz sentido

O mar nem sempre permite
Tal vermelhidão que vemos
Sobre nossas cabeças

Talvez não precisemos entender
Os porques, as cores
As palavras que ficam no meio do caminho


Os desesperos que revivemos. . .


Creio na ideia
De que seremos sempre jovens
Para nossos erros

Prefiro não chamar de erro
Toda tentativa de ser feliz
De ganhar sorrisos

Prefiro não me queimar
Por todo auto flagelo
E criaturas que costumo criar


Quantas dessas já dei nomes de demônios . . .

A alma se sobrepõe
Afim de respirar
Acima de qualquer nuvem já vista

O ar se torna rarefeito
Os pensamentos e as ideias
Se desmontam 

Se remontam
E voltamos a mesma atmosfera
A própria nua alma


Ao mar aberto
E todos devaneios
Todo âmago entregue a si

Só.



terça-feira, 10 de outubro de 2023

#138

Ah chuva. . . 
Sinto falta da época em que você
era uma garoa
Onde tempestade que me tira a paz
Derramava suas lágrimas em outras esquinas

Seus ventos que outrora traziam apenas assobios
Hoje trazem poeira aos olhos de quem
Admirava em silêncio 

Um medo da tempestade,
Das mazelas que trazes,
E do gosto amargo do tempo que passa

As vezes parece tão cedo

A nuvens parecem mais baixas
Pesadas como pensamentos
daqueles que não sabem onde devem ou oque devem

Existir meio aos muitos
Ser alguém em qualquer lugar
Deixar ecoar vozes entre as vozes

Sem qualquer entendimento
Preenchimento de si só
E um pouco mais do só

A quem queremos enganar

Estamos em cima de um muro sem saber para onde cair
Estamos em toda parte
Meio a imperfeição de nossos passos

Somos e continuamos aspirantes
Da primeira garoa que vimos
Dentro do furacão que nos tornamos

Somos os sem palavras
Os que preferem os sorrisos
E que ainda tem medo dos furacões

Somos apenas aberrações vistas pelo lado contrário.



segunda-feira, 10 de julho de 2023

#137

Temos alguns minutos

Para nos refugiarmos em paz
No silêncio de nossa loucura
Constante e bem-vinda

Minutos de um refrigério inexistente
Que abraça e nos conforta
E que nos destrói em silêncio

Onde não podemos dizer
Mas sentimos pela frequência
Que por vezes...

Alta 
Às vezes baixa

Elas não nos levam sempre ao mesmo lugar
Mas os mesmos lugares nos encontram
Nestes, nem sempre se encontra o silêncio

Mas os pedaços sempre são encontrados por onde outrora
Passamos

Fugidos ou não
Do sim e do não
Sempre do não

Mas também quebramos
E quando nos encontramos
Nos perguntamos como estamos de pé?

Como chegamos aqui?
Como quebramos aqui?
E por que "aqui" é. . .

Tão importante para mim?

O sim toma a face do não
O não se entrega as variáveis da vida
E pelo sim, se transforma numa simples metáfora

Todos perdidos aqui.