terça-feira, 8 de janeiro de 2013

#54


Existe um dom
Que fica adormecido
Bem no fundo de nós

Parece difícil dizer o que é
Mas também parece ser
Tão involuntário

Alguns usam e machucam
Outros trazem alegria
E outros mais


Tentam amar...


É inùtil fugir da vida
Que castiga e ensina
A nos defender

A ferir e ser ferido
Seja com classe ou simplesmente
Com ódio e muita fome

É um jogo apertado

Não há espertos ou certos
Para todo tempo
Um dia tudo se desfaz

E o pó volta ao pó
O que verdadeiramente
Nunca deixou de ser

Certas vezes
As nossas esperanças
Parecem tão fracas

Que chegam a partir
Nos deixando um adeus
E um grande buraco no chão

Então somos obrigados a recriá-la

Mantendo a crença
De que ao fim de tudo
Já teremos aprendido a viver

Não importa como.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

#53


Ele disse bom dia!

Para a moça
Que mal sabia respirar
E que o esperava passar todos os dias

Para aquela pessoa
Que o olhava torto
Pensando que ele era um qualquer

Para aquele ser
Que o desprezava
Apenas por pensar que ele era um idiota

Ele disse bom dia
Simplesmente por dar bom dia

Mas também porque
Há um dia atrás
Ele queria ver sorrisos

E percebeu que tudo
Tinha um tom acinzentado
Sem aquilo que realmente nos faz diferentes

E com tudo aquilo que nos torna iguais

Não é egoísmo pensarmos em nós mesmos,
Porém, é tão doloroso
Quando sabemos que a nossa volta

Não há mais ninguém

De que não existe vida ou
Ar que possa ser renovado
Por um simples sorriso

Do qual eu mesmo
Não consigo viver
E por minha vez, não deixo de lembrar que

Um sorriso nos traz de volta a vida
Todos os dias

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

#52

Sim

Eram luzes que subiam ao céu
Sem qualquer ajuda sequer
E mesmo assim faziam nossa noite

Pés se acomodavam no chão
Enquanto alguns olhos cansados
Assistiam o melhor espetáculo acontecer

Uma mágica em 3D
Criada por olhos e mente
Sem se esconder do verdadeiro "eu"

Os céus e a terra
Pareciam se encontrar
Diante de muitos que admiravam

...E se apaixonavam...

A noite parecia ser de todos aqueles
Que tinham fé, e que tinham vida
Mesmo tendo uns mais que os outros

Tudo era repleto de calor
Que subia em forma de vapor
E se perdia para o sempre

E para o nada

Por um minuto, nós realmente parecíamos
Estar além e tudo e de todos
Mas inclusive de nós mesmos

Que outrora corríamos atrás de ventos
E acabávamos por nos perder
Em mundos que jamais gostaríamos

...Talvez os nossos...

Mas hoje amamos o fardo
Que nos trouxe ao início
De mais uma temporada da vida

Tão amada por esses olhos

Que cansados ou não,
Conseguem enxergar o sorriso daquele que ama
E que ama o tremor daquilo que sente
Pois seu coração ainda bate

E há de bater por muito...









quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

#51

Há de haver...

Encontro miragens por todo canto
Luto contra vozes que so eu entendo
Caio em tentações que crio

Olho na mesma direção
Me perco meio as multidões
E encaro sempre os mesmos olhos

Fujo daquilo que amo
E me distraio com simples cores
Termino a me encontrar em um  dos meus mundos

Caindo...caindo...caindo

Não há retidão de pensamentos
Ou direção nas poucas palavras
Escritas ou proferidas a alguém

Não há fulga de ser você
Não há olhos que não querem ver
E corações que queiram parar de bater

Apenas a sinceridade em ser o mesmo

Mesmo torto ou sujo
Sem ter onde cair ou me esconder
A minha face sempre estará amostra

E a tapa, porque errar e tão humano

Falo e escuto demais
Há hora para tudo debaixo dos céus
Assim como o direito de ir e vir

Assim como lágrimas
Que não se seguram nos olhos
Ou mais palavras que escapam de nossa boca

Não há como mudar aquilo que somos
Ou esquecer o que passou
...deixar de viver uma vida

Não há como deixar de ser você
Ou perder a essência que se tem
Mesmo com o passar do tempo

E este só nos desgasta

Sem dizer o porque
Sem dizer para onde vai ou para onde leva aquilo que há em nós

Sem pedir licensa
Sem pedir desculpas
Sem exitar

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

#50

Ainda hoje...

Eu posso olhar para o horizonte
E lembrar de pensamentos que
Encontravam-se perdidos nas nuvens de algum céu

Algumas estrelas perdidas
Contam histórias que antes
Eu mesmo fazia questão de contar

Mas parece que aquele brilho morreu

Sinto-me como se contasse
Mentiras ao vento
Ou como se assobiasse sem propósito

Parece que caminhar fez parte
Da vida de alguém que talvez
Não queira conhecê-la

Mas não há quem possa julgar

Afinal o que seria de um mundo
Onde todos possuem a mesma opinião
Ou compartilham do mesmo amor

Não passariam de algumas mentiras mais,
Contadas ao vento e a nós
Por nós e a outros

Que não fazem questão de viver
Conforme manda o roteiro
Mas sim conforme  a própria mente

E não que seja algo ruim, mas...

Mentiras ou não
Cabe a cada um reparar
Nos próprios olhos

E não esquecer ainda as palavras
Que chegam aos corações
Não importam quais sejam

Elas acendem ou apagam alguém...




domingo, 23 de dezembro de 2012

#49


Há quem possa andar por ai
Sem um caminho correto
E com um bocado de sonhos nas mãos

O ar,
Pode parecer encher
Os pulmões deste velho homem

Que não quer saber
A diferença no "NÃO"
Ou na retidão

Pagão ou não
Que diferença faz?
Pois nem sempre

Há de haver importância no perdão

Para alguns, o mundo é tão pequeno
Que as margens dos rios
Por pouco não se tocam,
Por pouco não se machucam

Talvez haja quem prove o contrário

Aqueles que realmente
Não se esquecem
Que todos aqui

São feitos de carne e osso
Com coração e calor
E que põe um pouco de si

Naquilo que faz
Naquilo que vê
Em tudo que respeita.

Que põe um pouco daquilo
Que realmente importa
Sem medo de gastar ou de perder

Afinal...
Não há amor gasto
Que não trate de se recriar

De se inventar
De se doar...






sexta-feira, 30 de novembro de 2012

#48

Peças...

Não existem peças perdidas
Não existem peças sem sentido
Mas estas espalhadas

Por falta daquilo que nos falta
E que não se entende
Por ser tão grande e sem sentido

Às vezes chega a nos engolir

Algumas coisas
Não precisam de nome
Mas de um pouco mais
De nossa atenção

Sem maiores explicações

Não precisamos fingir a liberdade
Mas fingir sorrisos,
Torna-se tão inevitável
Quanto quebrar nossas próprias correntes

Triste liberdade
Esta que nos frustra
Que nos faz iludidos
Por nós mesmos

Falsa como ventos
Que não nos impulsiona,
Mas nos chacoalha

E não nos traz bem algum

Ou estaria enganado?

Verdades desvendam verdades
E por sua vez, caminhos
Por onde podemos fugir

Reencontrar o que foi
Perdido ou roubado
Durante toda a vida

Quem sabe ate
Encontrar sonhos,
Desejos, e com um pouco de sorte
Direção.